quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Casais em segunda união


A orientação está na Exortação Apostólica 'Familiaris Consortio'


São muitos os casais hoje em segunda união; pessoas que foram casadas uma primeira vez na Igreja, se separaram e se uniram a outra pessoa apenas no civil, já que não podem se casar na Igreja.
A orientação mais clara que a Igreja nos oferece sobre a situação dos casais de segunda união está na Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” (Sobre a Família) do Papa João Paulo II, escrita após o Sínodo da Família realizado em 1980; e também no Catecismo da Igreja Católica (CIC §1652).
Antes de tudo a Igreja deseja e espera que uma vez separados os casais possam um dia se reconciliar. Ela lembra que a separação física não extingue o vínculo matrimonial e, por isso, os separados não podem se unir em nova união, a menos que o primeiro casamento tenha sido declarado nulo pelo competente Tribunal Eclesiástico do Matrimônio. Após um Processo canônico o referido Tribunal pode chegar à conclusão de que determinado matrimônio foi inválido, de acordo com as normas do Código de Direito Canônico (cânones 1055 a 1124). Há cerca de 20 casos que podem levar o Tribunal a declarar a nulidade de um matrimônio; são falhas no consentimento matrimonial, impedimentos dirimentes ou falta de forma canônica.
A Igreja lembra que a pessoa que se separou – se não teve culpa na separação – pode continuar a receber os sacramentos da Confissão e da Eucaristia –, se se mantiver numa vida de castidade. Sobre os divorciados que contraíram nova união, o Papa João Paulo II disse, baseando-se nas conclusões do Sínodo da Família:
“A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio” (FC, 84).
Os casais de segunda união poderão receber os Sacramentos no caso de viverem como irmãos, sem vida sexual, como explica o saudoso Pontífice:
“A reconciliação pelo sacramento da penitência – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimônio. Isso tem como conseqüência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios – quais, por exemplo, a educação dos filhos – não se podem separar, «assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos atos próprios dos cônjuges» (idem).
João Paulo II afirma também que não se pode fazer qualquer tipo de celebração em uma segunda união:
“Igualmente o respeito devido quer ao sacramento do matrimônio quer aos próprios cônjuges e aos seus familiares, quer ainda à comunidade dos fiéis proíbe os pastores, por qualquer motivo ou pretexto mesmo pastoral, de fazer em favor dos divorciados que contraem uma nova união, cerimônias de qualquer gênero. Estas dariam a impressão de celebração de novas núpcias sacramentais válidas, e conseqüentemente induziriam em erro sobre a indissolubilidade do matrimonio contraído validamente” (idem).
Ato tratar desse assunto o Catecismo da Igreja Católica ensina o seguinte:
§1651 – “São numerosos hoje, em muitos países, os católicos que recorrem ao divórcio segundo as leis civis e que contraem civicamente uma nova união. A Igreja, por fidelidade à Palavra de Jesus Cristo (“Todo aquele que repudiar sua mulher e desposar outra comete adultério contra a primeira; e se essa repudiar seu marido e desposar outro comete adultério”: Mc 10,11-12), afirma que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro casamento foi válido. Se os divorciados tornam a casar-se no civil, ficam numa situação que contraria objetivamente a lei de Deus. Portanto, não podem ter acesso à comunhão eucarística enquanto perdurar esta situação. Pela mesma razão não podem exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação pelo sacramento da Penitência só pode ser concedida aos que se mostram arrependidos por haver violado o sinal da aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometem a viver numa continência completa.”
§1652 – “A respeito dos cristãos que vivem nesta situação e geralmente conservam a fé e desejam educar cristãmente seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar prova de uma solicitude atenta, a fim de não se considerarem separados da Igreja, pois, como batizados, podem e devem participar da vida da Igreja: Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o sacrifício da missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorar, dia a dia, a graça de Deus.”

Prof. Felipe Aquino

11 comentários:

Jhonatan disse...

TÁ, a Igreja afirmar, assim como a Palavra, que os casais estão em adultério.
Não podendo comungar.
Isso não é "tapar o sol com a peneira"?
Quem será que vai ser condenado? O casal que está em segunda união ou as pessoas que dizem que pode ficar em segunda união mesmo Cristo sendo tão direto?
Beleza, eu sei que só quem vai julgar é Deus. Mas tudo isso, pra mim, ainda é muito estranho. Algumas vezes parece que o Evangelho está sendo remodelado para o povo e não o povo se modelando a Cristo.
Eu não estudei muito sobre a Palavra ainda, mas que é muito confuso é.

Thais Calistrato disse...

Só acho a igreja muitas vezes injusta ...Pois se a pessoa vive de briga de apanhar, tem que viver assim pq a igreja fala q casamento é para sempre, e se a pessoa se separar é uma SEPARADO(a)sem direito a ser cristão, sem comungar, sem participar de encontro de casais... mas se a pessoa mata o companheiro e depois pede perdão, aquela pessoa é VIÙVA e pode casar e participar da igreja. Vá entender !

Não é tão difícil assim . disse...

Olá,meu nome é Simone Gazola Bomfim,sou de Presidente Prudente,e gostaria de dizer que encarar essa nova condição para os recasados não é tão difícil assim,se estivermos em comunhão com DEUS.
Passo por isso também,sou de segunda união,há 10 anos já.E em setembro de 2009 fomos convidados a participar de uma palestra com o Pe.Luciano Scampini e M.Scampini,são dois irmão que se dedicam a nossa causa,e aprendemos que pelo Batismo,fazemos parte sim da Igreja de Cristo e somos convidados a participar diariamente da comunhão com DEUS.Que se dá através não só da COMUNHÃO EM ESPÉCIE,mas da nossa participação na comunidade,na nossa vida no dia-dia,se participamos com o coração aberto nas celebrações,ouvindo e vivendo a PALAVRA,estamos em PLENA comunhão com CRISTO.
Depois fomos convidados a participarmo do "ENCONTRO DE CASAIS EM SEGUNDA UNIÃO",da Paróquia São Francisco de Assis de Presidente Prudente,que tem como pároco Pe.Luiz Inácio,este encontro trouxe para nós uma vida diferente,vivíamos uma vida de casado já,mas agora é diferente,vivemos uma vida de casado juntos com CRISTO.Seria muito interessante para quem não conhece este encontro procurar levar para paróquia de vocês,pois assim como mudou nossas vidas,tenho FÉ EM CRISTO,que irá mudar muitas vidas.
DESDE JÁ AGRADEÇO A OPORTUNIDADE E O ESPAÇO.

SIMONE GAZOLA BOMFIM

Renata disse...

Renata, sao jose dos campos
Deus e amor, ele nao quer nos ver triste, se a pessoa nao e feliz em seu casameto tem que ser assim pro resto de seus dias? e quem faz o pedido de anulacao? nega aquilo que viveu? acredito que muita coisa ainda vai mudar...

Anônimo disse...

Tatiana - rio de Janeiro
Divulgando encontro de casais de segunda união - momentos de reflexão: www.paroquiadivinosalvador.com.br

Jane filha de Deus disse...

Jane Luci,Rio de Janeiro,avianaguerra@bol.com.br

Amo minha fé,igreja,AMO Cristo.
Só não compreendo, porquê,após uma averiguação muito bem administrada,
a Igreja pode dar a anulação do casamento se foi o próprio casal
que celebrou seu matrimônio junto à Cristo, através das testemunhas(Pe,convidados)?
Se o casamento é indissolúvel para com Deus, e o próprio casal não tem esse poder...que são " homens"
como o "homem" mesmo ungido da Igreja tem esse poder?
Sou de segunda união e sinceridade
não aceito essa anulação,pois, quando casei pela primeira vez foi
por amor,consciente....
Não é fácil seguir na Igreja sendo
de outra união...ainda se enconta sim falta de acolhida,e muitas vezes pelo próprio sacerdote,casais
'perfeitos'....mas minha fé em Cristo é indissolúvel...inabalada.
Obrigada pela oportunidade.

NÃO POSSUO disse...

Rita osasco estou me relacionando com um homem que esta separado a algum tempo, como participo de uma comunidade de aliança e vida estou sentindo dificuldades pois vou ser afastada de todos os trabalhos e eles falam que a igreja diz isto, não posso aceitar que não possa fazer nada e não sei como discutir este assunto com eles já que são muito radicais, como agir?

Afrânio disse...

Afrânio, Itajubá, afranio_unifei@yahoo.com.br

Se vocês, casados em segunda união, estão incomodados com os ensinamentos que a santa Igreja Católica propõe para a própria salvação das almas, então sejam hereges (que quer dizer escolha) e procurem um "deus" comerciante, que atende a seus interesses. Mas saibam que somos nós que devemos nos dobrar a Deus, e não o contrário. Jesus rogou ao Pai que o livrasse da Cruz, OBEDECEU, e ele foi atendido na ressurreição. Sejamos também nós obedientes e fiéis a Deus por seus representantes. A felicidade do cristão não é neste mundo, mas se faz pela busca em crumprir a vontade de Deus para alcançar a própria salvação. Quem se casa pela segunda vez não está excluído da Igreja, mas deve ter consciência da própria condição, nas palavras de Jesus, "quem se une a uma mulher separada comete adultério com ela". Sigamos confiantes em Deus misericordioso rumo à morada definitiva no Ceú.

fefarias2011 disse...

Romilda do N.Souza
Petrolina/PE

Faco parte de um grupo de casais de segunda união e foi através do grupo que fortaleci a minha comunhão com Deus e hoje tenho imensa felicidade em fazer parte desse grupo,pois tudo se transformou em minha vida, na minha família, no meu casamento.Faço parte da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Anjos.Gostaria muito de interagir com pessoas que façam parte também de grupos de casais de segunda união.
Email: romilda_n_souza@hotmail.com

Anônimo disse...

O cantor Belo - e muitos outros - viveu maritalmente com a Viviane Araújo e casou na Candelária com a Gracyanne, em cerimônia conduzida pelo padre Marcelo Rossi.
Acho tudo injusto, pois casei-me virgem, na Igreja. Me separei por problemas sérios de adultério dele e não posso mais comungar. Qual a diferença entre eu e o Belo? Ele tinha uma vida libertina e eu, casta. Ele é rico e eu sou pobre. Então é melhor viver maritalmente ao invés de ter um namoro santo? Tem gente que mata, se arrepende e pode comungar. Discordo que meu pecado seja maior do que a hipocrisia de muitos que veja comungando... creio na misericórdia de Deus, que tudo vê e sabe.
Morgana, RJ, morganabrumas@hotmail.com

Anônimo disse...

José Heitor, Poços de Caldas M.G.
j.heitormalmeida@ibest.com.br
Eu já estou casado a mais de 20 anos em 2 união, vou falar com um
Padre e com àjuda de Deus vou poder
comungar eu e minha Esposa.
Tudo depende de conversar...Ainda sou filho de Deus.
A nossa egreja esta certinha